Overtone Chanting

Inserido por em Aug 19, 2011 | artigos

Overtone Chanting
O Canto dos Harmônicos

Por Cecília Valentim

“Uma noite, em 1433, o Lama Tibetano Je Tzong Sherab Senge teve um so­nho revelador. Nele, ouviu uma voz que jamais tinha ouvido: era grave, in­crivelmente profunda, um som que não parecia humano. Combinado a esta voz, havia uma segunda, aguda e pura, como a voz de uma criança can­tando. Estas duas vozes, totalmente diferentes, tinham a mesma origem, que era ele mesmo. No sonho, Je Tzong é instruido a incorporar este canto especial em suas práticas de meditação. Foi–lhe revelado como um canto que integra os aspectos femininos e masculinos da energia divina, uma voz tântrica que une todos os cantos na rede da consciência universal” (Jonatham Goldman, Healing Sound)

Esta é uma das histórias contadas sobre o Canto harmônico. Atual­mente, sabemos que este tipo de canto é uma prática ancestral em diversas tradições e que, provavelmente, os tibetanos a encontra­ram na Mongólia e na Sibéria, quando o budismo tibetano lá apor­tou. Sabemos também que era uma antiga prática entre os pastores nórdicos para pastorear suas ovelhas, e ainda o é entre os aborígines australianos e os índios brasileiros, que a utilizam em rituais, como forma de acessar o mundo espiritual.

Uma Visão Geral

O Canto Harmônico torna audível o espectro natural das freqüên­cias que compõem cada som. É uma forma de canto onde se pode cantar simultaneamente uma nota (fundamental) e seus harmônicos, selecionando-os e amplificando-os por meio de uma técnica simples e específica. São altas freqüências que flutuam acima do som funda­mental emitido pelo cantor. A técnica envolve a criação de uma de­terminada cavidade acústica dentro da boca, dada pela língua, pelo abaixamento da laringe e o uso de uma seqüência de vogais que configura uma maior composição de harmônicos. Alguns cantores, em especial em Tuva, região da Mongólia, são capazes de cantar de cinco a seis freqüências acima da nota fundamental, simultane­amente.

O Poder do Canto Harmônico

Estudos acadêmicos mostram que cantar em geral, mas, principal­mente cantar os harmônicos, modula as ondas elétricas do cérebro, leva a uma maior coerência cerebral e amplitude das ondas Alpha e Theta, semelhante aos estados de meditação, abrindo as portas para outros níveis de consciência. Estudos empíricos mostram que cada vogal e cada harmônico vibra em um determinado chackra. São al­tas freqüências que ressoam em nosso organismo, em cada centro energético sutil do nosso corpo, transformando a dissonância em consonância. Encontramos referências a isto em textos do Budismo Tibetano e entre os Guaranis, que em sua tradição, consideram o humano um Tu-py, ou seja, flauta em pé, afinada a partir dos tons essenciais do ser, tons que participam de todos os seres, assim como a série harmônica compõe todos os sons e cada som é uma determi­nada composição de harmônicos. Eis a seqüência de vogais encon­trada em ambas as tradições: Y, U, O, A, E, I. Nesta seqüência, cada vogal se refere a um chacka, a partir do chacka da raiz. No sétimo chacka, no topo da cabeça, reside o silêncio. (A prática de entoar as vogais como caminho para o êxtase ou iluminação também é encon­trada nos textos sacros Hebreus e Bizantinos)

A Prática

O Canto Harmônico amplia o espectro de percepção vocal, auditi­vo, corporeomental, e leva a um estado de liberdade, pacificação interna e bem-aventurança. É uma prática espiritual que permite que nos conectemos profundamente com nossa vibração original e “limpemos” as vibrações que não nos pertencem e, assim, estar em nossa freqüência, sendo puramente quem somos, o que é vital para este instante do Planeta e para todos os seres que aqui vivem.

 

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